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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Capítulo 2. Neve

Começou com um riso após o estampido da rolha arrancada da boca da garrafa de um vinho fino.
Quando o jovem formado entrou no baile ao céu aberto havia apenas música para seus ouvidos.
Seus trajes naquela noite eram o que ia lhe marcar para sempre, mal sabia ele cujo conjunto de seu terno de um bordô escuro quase que beirando ao preto uniforme combinando a calça de mesma coloração.
O traje que ele havia reservado especialmente para seu baile de formatura na arte de salvar vidas na Universidade Heidelberg, a universidade mais tradicional do seu país natal, a imponente Alemanha.
Sua pele não era tão alva quanto a camiseta branca, pelos tons vívidos da juventude, o chapéu cobria o rosto e longos cabelos negros de um jovem próximo de seus 18 anos magro e alto conforme sua linhagem genética.
Os sapatos era presente de seu pai, veterano aviador da primeira guerra, brancos para atuar na futura profissão. E as luvas que experimentava no momento era de sua mãe orgulhosa com olhos brilhantes e lacrimejantes de emoção.
E então, ele se virou pra sua convidada que entrava no salão em meio ao jardim onde todos riam e celebravam.
Um vestido azul celeste, a pele mais branca que a de Dean Benkendorf que aguardava a dama no final dos degraus que desciam e seguiam a pista de dança.
Num piscar de olhos, como por impulso já estava segurando a mão de Minna Krauss e a convidando para dançar, ignorando totalmente a presença de seu chapéu Fedora cinza de abas longas, quando o olhar de Dean se fixou aos de Minna e nada pode evitar aquele momento único em sua vida.
Seus amigos, colegas e familiares abriam uma roda para assistir este espetáculo, a valsa que Dean finalmente pudera degusta com o amor que desejara desde sua infância. Este era o melhor segundo de sua vida. E ele terminou em instantes com uma face de horror.
Uma sombra preencheu o salão e tomou as pessoas que assistiam o casal ao centro.
E em instantes, todos ao seu redor estavam mortos, sangrando ao chão. E corpos desconhecidos pendiam sobre eles, vorazes, mordiam e rasgavam a pele das pessoas que amavam. Lambiam e bebiam insaciáveis o sangue de suas vítimas.
E quando Dean percebeu, Minna estava sobre seus braços. Pálida, gélida e sem vida.
E aos poucos enquanto Dean chorava sobre a amada ele se abaixava e a deitava sobre o chão como se não escutasse os barulhos e gritos de horror por todos os lados.
De repente, sobre ele pendeu uma sobra que fitou-o diretamente sobre seus olhos e ele não pode se mover, nem mesmo piscar os olhos que lacrimejavam incessantemente. Os olhos amarelos impediam seu movimento e fazia seu coração bater lentamente.
O toque gelado aumentava sobre seu corpo e o envolvia em um abraço frio e sinistro.
A morte o abraçou e então algo frio tocou o lado direito do seu pescoço, o sono lhe tomou o corpo.
Dean então morreu naquela noite.
E nasceu de novo cerca de uma hora depois mas não era mais o mesmo. Agora ele se sentia como um demônio, desta vez com os olhos de seu assassino em sua face e em sua mente para não esquecer pela eternidade. Os olhos de vingança escondidos pela aba do chapéu de quem tinha o seu coração.
Os olhos se abriam no meio da escuridão.
A visão aguçada enxergava as tomadas no escuro. 112 anos se passaram, mas todo final da noite quando Dean se deleitava em seu caixão cheio da terra de sua terra natal, ele tinha as mesmas recordações. Parte delas desapareceram de sua mente. Dizem que é quando a alma do futuro vampiro chega aos céus e é recusado para o inferno, onde é devorada e sua consciência lançada de volta ao corpo.
A arma carregada estava sobre a mesa ao lado do velho caixão. Uma Magnum 44 banhada em detalhes de damasco, uma relíquia da segunda guerra, ao lado de um cinto com bisturis de prata pura, quase intocáveis.
O barulho e sons frenéticos dos carros e buzinas de uma noite de sábado começavam a despertar na cidade que nunca dorme.
Sentia fome, já havia uma semana que não se alimentava de sangue e estava decrépito.
Amaldiçoou a si mesmo mais uma vez, antes de sair da porta do quarto totalmente vedado da luz do Sol. Primeiro iria se alimentar, depois, concluir sua vingança. Estava perto e podia sentir seu cheiro.

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